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Treinar para a mudança de comportamento: Soft Skills

No Franchising, é grande o empenho em promover uma padronização nos processos. Estruturamos cada setor, elaboramos manuais, organizamos treinamentos voltados a ensinar o Franqueado e suas equipes a fazerem o que deve ser feito. Muitas vezes, esses treinamentos trazem denso conteúdo sobre como gerir o negócio, compartilhando  conhecimento prático sobre gestão de finanças, pessoas e vendas. Ainda assim, mesmo que toda a Rede tenha acesso aos mesmos conteúdos, podemos identificar que há franqueados que obtêm resultados bem superiores a outros, mesmo em condições geográficas e econômicas semelhantes. Logo, se aspectos comportamentais influenciam tanto no desempenho das franquias, concluímos que as Franqueadoras devem estar mais envolvidas na promoção de treinamentos comportamentais que impactem na atitude dos empresários, visando mais resultados no negócio.

Sabemos que o comportamento humano pode ser afetado por questões biológicas, sociológicas, psicológicas, antropológicas, econômicas, entre outras. Mas, também, que é possível desenvolver novos comportamentos, quando trabalhamos competências e habilidades que se relacionam com as motivações individuais. Cada comportamento tem um motivo, uma causa, um estado interno, que pode ser uma necessidade ou um desejo, por exemplo. A motivação, que é sempre individual e é influenciada pelas experiências da pessoa, provoca os estímulos para suprir a necessidade, levando a um determinado comportamento. Sendo assim, a educação corporativa deve considerar o Franqueado como uma pessoa inteira, com emoções, impulsos, pensamentos.

Se as motivações próprias são determinantes para que uma pessoa queira mudar, queira obter um novo comportamento, queira desenvolver a si mesma e adquirir novas habilidades, então, precisamos sensibilizar os Franqueados para uma mudança de comportamento, e não, simplesmente, apresentar uma série de conteúdos. É necessária uma predisposição para reagir ao estímulo, e isso antecede o comportamento.

O ponto de partida, assim, é apresentar a eles um porquê, o Propósito. Não simplesmente o porquê a empresa existe e por quais causas ela trabalha, mas sendo capaz de fazer conexões entre o propósito organizacional com o propósito dos Franqueados, ou seja, relacionar, compartilhando também valores e reforçando a cultura. A promoção de palestras em encontros presenciais e Convenções de Franqueados podem ter papel fundamental neste aspecto da sensibilização, para gerar uma abertura prévia às ideias novas, preparando a Rede para grandes mudanças, para despertar o desejo pela transformação, uma vez que esse tipo de palestra amplia o grau de consciência do “porquê” mudar, enquanto que os novos treinamentos propostos trarão as resposta do “como” mudar.

 

E por que desenvolver novas competências comportamentais é tão importante?

Diversos estudos apontam que existe alta correlação entre o comportamento empreendedor e os índices de desempenho atingidos. Uma pesquisa de Brown e Hanlon (2016), por exemplo, no Canadá, validou os impactos no desempenho por meio da prática empreendedora.

Outros autores também defendem que programas de treinamentos voltados à desenvolver o comportamento empreendedor, à proatividade, disciplina e atitude podem resultar significativamente na melhoria de vendas e na lucratividade. Maciel e Camargo (2010) associam o lócus interno de controle para potencializar os efeitos do comportamento empreendedor sob o desempenho. Castro (2018) reforça o impacto da resiliência e do otimismo.

Para o futurologista britânico Ian Pearson “habilidade emocional é o que vai importar no mercado de trabalho”. Isso porque a automação e a inteligência artificial substituirão por completo as tarefas repetitivas que hoje ainda são executadas por seres humanos. O trabalho colaborativo entre robôs e humanos, o chamado “cobots”, vai exigir dos profissionais habilidades essencialmente humanas (ESTADAO, 2019).

Também no Franchising, sabemos que há atributos desejados pelos Franqueadores em relação a perfil de franqueado e, entre eles, ética, proatividade, liderança, produtividade, resiliência. E se dissermos então que, em vez de esperarmos empreendedores com todas essas competências batam à porta, podemos desenvolvê-las nos Franqueados atuais?

Diante disso, realizar um diagnóstico e identificar as necessidades de treinamento da Rede pode ser o primeiro passo. Entender quais são as competências e habilidades a serem desenvolvidas, e quais as prioridades. Depois, propor novos treinamentos e trilhas de conteúdos que respondam a essas necessidades da Rede.

Uma questão fundamental, no entanto, quando abordamos Soft Skills, é que o Franqueado receba mais do que, simplesmente, aquilo que precisa ser feito (conhecimento teórico), mas saiba fazer (treinamento prático).

Neste sentido, para que desenvolva tais competências e habilidades, precisa contar com treinamentos essencialmente práticos, que provoquem mudança de mindset, que desinstalem crenças limitantes, que levem a uma nova atitude. Ou seja, se desenvolver a “resiliência” pode ser importante, pode ser necessário promover uma oficina prática, na qual o participante se depare com questionários e dinâmicas e atividades vivenciais que o leve a executar ações, a desenvolver um plano, a saber o que deve ser feito no dia a dia.

Proatividade é relevante para o negócio? Produtividade? Negociação? Tais competências podem ser desenvolvidas e gerar impacto significativo no desempenho do Franqueado e melhorar os resultados e os relacionamentos.

Franqueados que desenvolvem habilidades socioemocionais multiplicam as boas práticas, trocam know how, fortalecem a cultura colaborativa e inspiram os demais empresários, contagiando toda a Rede.

 

PROPOSTAS DE TREINAMENTOS SOFT SKILLS PARA REDES DE FRANQUIA

  • Comportamento Empreendedor
  • Programa de Liderança
  • Proatividade e Produtividade
  • Disciplina
  • Negociação
  • Agilidade Emocional
  • Resiliência
  • Pensamento Criativo
  • Ética corporativa
  • Empatia
  • Gestão da Vulnerabilidade
  • Comunicação Assertiva

 

 “As melhores empresas para trabalhar lembram uma coisa que não muda: as pessoas com quem trabalham sempre serão pessoas.”

A frase de Robert Levering, co-fundador da Great Place to Work,  resume a principal tendência de  liderança corporativa: um olhar mais profundo para o ser humano.