Muita coisa muda no varejo, mas o essencial permanece

Estamos percebendo no evento da NRF 2022 uma busca do Varejo de encontrar respostas √† altura deste tempo complexo que atravessamos. √Č o setor procurando acompanhar a evolu√ß√£o da cultura tecnol√≥gica e digital, da informa√ß√£o e do conhecimento, do compartilhamento, da sustentabilidade, em um mundo desafiado pela necessidade de preservar e valorizar recursos humanos e naturais.
Todos esses aspectos da cultura contempor√Ęnea influenciam as empresas. Mais do que se modernizar pela via das inova√ß√Ķes digitais, equilibrar todas as demandas culturais de um tempo √© o desafio de todas as marcas.

As novidades propagadas na NRF 2022 mostram que o varejo hoje busca o equil√≠brio entre as melhores a√ß√Ķes no √Ęmbito do virtual e do real, e por real entende-se aqui aquelas a√ß√Ķes fundamentais do PDV F√≠sico para a rela√ß√£o de consumo ‚Äď o cuidado com as pessoas, produtores e consumidores de produtos e servi√ßos.

J√° temos exemplos de que a tecnologia virtual foi longe. Em ambientes virtuais de trabalho, as pessoas v√£o ao escrit√≥rio com seus avatares e podem pagar contas com cart√£o de cr√©dito no metaverso, usando ApplePay, por exemplo. Segundo a Bloomberg, as oportunidades de neg√≥cio em torno do metaverso correspondem a R$ 800 bilh√Ķes em 2024.

Mas pensar o futuro do varejo √© pensar tamb√©m nas pr√≥ximas gera√ß√Ķes, como a Alpha e a Z, que cresceram em meio √†s novas tecnologias. Segundo Kate Ancketill, CEO e fundadora da GDR Creative Intelligence, daqui a oito anos os Alphas ser√£o metade da popula√ß√£o mundial. ‚ÄúS√≥ na China gastaram o equivalente ao PIB da Isl√Ęndia no Tik Tok. Essa gera√ß√£o n√£o faz compra de forma bin√°ria, gosta de coisas menores, varejos automatizados‚ÄĚ. A tend√™ncia ent√£o √© o surgimento de lojas virtuais imersivas, a amplia√ß√£o do com√©rcio com uso de avatar – no universo de realidade expandida, ter um avatar ser√° o equivalente a ter presen√ßa numa rede social. Logo, n√£o √© dif√≠cil prever que o metaverso pode definir a for√ßa de trabalho do futuro: √† medida em que as marcas adotarem essa pr√°tica, devem criar times especiais para atuarem nela. De novo, por tr√°s da tecnologia, est√£o as pessoas.

Todo esse impulso pelo metaverso e outras experi√™ncias virtuais deve-se √† busca da tecnologia para gera√ß√£o de experi√™ncias marcantes, que sensibilizam e definem a decis√£o do consumo. Criar experi√™ncias √© um termo muito atual, presente em todos os setores (turismo, arte, com√©rcio etc), porque hoje as pessoas recorrem a diversos recursos (agora principalmente ao √Ęmbito digital) para vivenciarem experi√™ncias e sentirem alegria, emo√ß√£o, conforto. Por√©m, no campo do varejo, sensa√ß√Ķes tamb√©m podem ser sentidas a partir da experi√™ncia de compra f√≠sica (onde os sentidos s√£o convidados a agir diante do cheiro da loja, da m√ļsica ambiente ou das imagens que ela emana). O conceito de boa experi√™ncia hoje come√ßa agora a perpassar toda a rela√ß√£o do consumo ‚Äď da compra de insumos √† produ√ß√£o e venda de produtos e servi√ßos, em todos os canais de intera√ß√£o e transa√ß√£o com a empresa. Cada vez mais, a qualidade e o bem-estar s√£o convocados a fazer parte do nosso cotidiano.

Hoje todo o varejo se volta, afinal, ao termo mycommerce: termo que implica no poder do consumidor de comprar do jeito que quiser, onde e na hora que eu quiser, explicou Rachel Danton, diretora da Kantar, na palestra ‚ÄúPriorizando o Consumidor‚ÄĚ. Acompanhando sentimentos dos consumidores de 50 pa√≠ses a partir de 2020, a consultoria McKinsey constatou que 45% dos consumidores procuram economizar nas compras de mercado, 39% planejam ter mais foco em nutri√ß√£o saud√°vel, 76% dos consumidores compram ou boicotam marcas baseados em valores. Fidelidade e personaliza√ß√£o s√£o pe√ßas-chave para o tamanho da cesta e a frequ√™ncia de compra. Sim, os consumidores esperem uma proposta de valor online e offline.

Brincar de avatar √© uma experi√™ncia interessante, mas ela s√≥ agrega se um tanto de outras quest√Ķes caminharem juntas, neste sistema, para garantir a qualidade do produto ou servi√ßo e do atendimento. Por isso, a boa experi√™ncia no consumo ainda depende e muito do elemento humano, que sempre esteve e est√° por tr√°s ou, melhor: na frente de toda tecnologia. Por isso se fala tanto na import√Ęncia do desenvolvimento de pessoas. Como se falou em Nova York esses dias:

Na era da hiper informação, o conhecimento vale ouro e reter talentos é a ordem.

Anotemos, então, as mudanças em curso, como a aceleração de compras online, bem-estar, empoderamento do consumidor, tecnologias emergentes como norma, e compras sociais com conexão entre as pessoas.
E, nesta caminhada, nos lembremos de integrar talentos e equipes, de unir habilidade técnica e formação cultural no nosso time. De criar valor e implementar uma cultura na empresa e disseminá-la. De educar, desenvolver pessoas e gerar empatia. Que venham os avatares, mas que no centro de tudo, ainda enxerguemos as pessoas.